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— Dependência Química

Reconstruindo Vidas: Como Superar a Dependência Química com Acompanhamento e Amor

Grupo Messias
Reconstruindo Vidas: Como Superar a Dependência Química com Acompanhamento e Amor

Por Raique Almeida

            Para sair de uma conduta da dependência química, o primeiro passo fundamental é estar acompanhado. A ciência já demonstrou, com muitas evidências, o que funciona e o que não funciona. Por exemplo, sabemos que hipnose, gotas milagrosas, rituais energéticos ou outras práticas semelhantes não são eficazes por si só. A dependência química é um problema que afeta o cérebro e a conduta da pessoa, e por isso exige a atuação de uma equipe multiprofissional, composta por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, todos com experiência na área.

Famílias que viram seus entes queridos manterem a sobriedade buscaram ajuda profissional especializada. Quando se trata de alguém próximo, como um filho, filha, cônjuge ou irmão, é impossível ser objetivo, pois as emoções interferem. Muitas vezes a família se compadece, se questiona, evita tomar decisões difíceis. Mas aquelas que se permitiram ser orientadas por especialistas e seguiram orientações mesmo quando difíceis, foram as que viram resultados. Às vezes, foi necessário impor limites firmes, chamar a polícia ou permitir que o adicto enfrentasse consequências jurídicas. Muitos familiares resistiram no início, mas depois reconheceram que essas decisões foram essenciais para a recuperação do ente querido.

Outro aspecto importante é o ato de "soltar". Em comunidades como Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, esse conceito é chamado de "força superior". Isso significa reconhecer que há coisas fora do nosso controle. A oração da serenidade, muito usada nesses contextos, não é necessariamente religiosa, mas é uma forma de aceitar os limites do que podemos mudar. Assim como em uma gestação, em que não se tem controle absoluto sobre o que acontece, no caso da adicção também é necessário confiar, soltar, e entregar à vida, a Deus, ao universo ao que cada um acreditar aquilo que foge do nosso alcance.

Além disso, essas famílias entenderam que é tudo ou nada. Ou seja, o contato com o adicto só deve acontecer se ele estiver comprometido com o tratamento. Por mais doloroso que seja, é necessário permitir que ele sinta as perdas decorrentes da adicção perda de afeto, de convivência, de apoio financeiro ou até mesmo de um teto. A ciência mostra que, se o adicto não sente que perdeu algo importante, dificilmente se motiva a buscar ajuda. Somente quando se confronta com a realidade e com a possibilidade real de perder tudo, ele se vê impulsionado a agir.

Quando há a chance de tratar a dependência química com seriedade e apoio especializado, temos a possibilidade de formar um ser humano mais saudável e, consequentemente, uma família também mais saudável.

Referências:

SILVA, A. C.; RIBEIRO, M. Estratégias de enfrentamento familiar frente à dependência química. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, v. 17, n. 3, p. 45-55, 2021.

MELLO, L. F.; FERNANDES, M. M. A importância da família no tratamento da dependência química. Revista Psicologia e Saúde em Debate, v. 5, n. 2, p. 54-66, 2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado das pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS. Doze Passos e Doze Tradições. Rio de Janeiro: Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil, 2017.

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