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Principais Doenças Relacionadas ao Uso Prolongado da Maconha

Grupo Messias
Principais Doenças Relacionadas ao Uso Prolongado da Maconha

Por Raique Almeida

            O uso prolongado da maconha tem sido alvo de diversas investigações científicas, especialmente por seus efeitos sobre o organismo e o impacto cumulativo ao longo do tempo. A Cannabis sativa, principal planta da qual se extrai a maconha, possui como substância psicoativa o tetraidrocanabinol (THC), que atua diretamente no sistema endocanabinoide cerebral, afetando funções cognitivas, emocionais e fisiológicas (VOLKOW., 2014). Embora muitos defendam seus possíveis benefícios terapêuticos, o consumo contínuo e recreativo está associado a uma série de riscos e doenças, sobretudo nos sistemas nervoso, respiratório e cardiovascular.

            No campo da saúde mental, estudos têm revelado uma correlação significativa entre o uso crônico da maconha e o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, como ansiedade, depressão e, em casos mais graves, psicose e esquizofrenia. Segundo Hall e Degenhardt (2009), usuários frequentes têm risco aumentado de desenvolver sintomas psicóticos, especialmente quando há predisposição genética. Esse risco se intensifica quando o uso se inicia na adolescência, período de maior vulnerabilidade neurobiológica. A maconha também afeta negativamente a memória, a atenção e a capacidade de tomada de decisões, prejudicando o desempenho acadêmico e profissional a longo prazo (VOLKOW et al., 2016).

            Além dos impactos mentais, o consumo prolongado de maconha afeta o sistema respiratório, uma vez que a fumaça contém compostos tóxicos semelhantes aos encontrados no tabaco. De acordo com Tashkin (2013), usuários crônicos estão mais propensos a desenvolver bronquite crônica, sibilos, tosse persistente e alterações na função pulmonar. Embora ainda não haja consenso sobre sua relação direta com o câncer de pulmão, o potencial irritativo e inflamatório da fumaça da maconha sobre o epitélio respiratório é amplamente documentado.

            Do ponto de vista cardiovascular, a maconha pode desencadear episódios de taquicardia, aumento da pressão arterial e alterações vasculares, o que eleva o risco de infartos e acidentes vasculares cerebrais, principalmente em indivíduos predispostos (THOMPSON; ROSENKRANZ, 2020). A presença de canabinoides no sistema circulatório também pode afetar o metabolismo lipídico e glicêmico, contribuindo para quadros de síndrome metabólica.

            Ainda, em nível endócrino e reprodutivo, a literatura aponta que o uso contínuo da maconha pode impactar negativamente a fertilidade, tanto em homens quanto em mulheres, afetando a produção hormonal e a qualidade dos gametas (GORMAN., 2019). No sistema imunológico, há indícios de que o THC possa exercer um efeito imunossupressor, o que compromete a resposta do organismo a infecções e outras agressões externas.

            Diante do exposto, conclui-se que o uso prolongado da maconha, embora muitas vezes subestimado socialmente, está associado a uma gama de doenças que afetam diferentes sistemas do corpo humano. A despeito de seus potenciais usos terapêuticos, é imprescindível que a sociedade e os profissionais da saúde estejam atentos às evidências científicas que demonstram os riscos do consumo contínuo. O esclarecimento, a prevenção e a abordagem adequada desses efeitos devem fazer parte das políticas públicas de saúde, principalmente entre os jovens, público mais vulnerável aos efeitos adversos da substância.

Referências

VOLKOW, N. D. Efeitos adversos do uso de maconha sobre a saúde. New England Journal of Medicine, v. 370, p. 2219–2227, 2014.

VOLKOW, N. D. Efeitos do uso de cannabis sobre o comportamento humano, incluindo cognição, motivação e psicose: uma revisão. JAMA Psychiatry, v. 73, n. 3, p. 292–297, 2016.

THOMPSON, R. C.; ROSENKRANZ, M. A. Riscos cardiovasculares associados ao uso de maconha. Current Atherosclerosis Reports, v. 22, n. 12, p. 1–9, 2020.

GORMAN, J. M. Cannabis e saúde reprodutiva: uma revisão. Journal of Clinical Medicine, v. 8, n. 6, p. 832, 2019.

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