Por Ilana Andretta, Jéssica Limberger e Jaluza Aimèe Schneider
O artigo publicado na revista Psico-USF, analisa a presença de sintomas psicológicos em pessoas em tratamento por uso de substâncias psicoativas em comunidades terapêuticas do Rio Grande do Sul. A pesquisa foi realizada com 168 participantes, sendo a maioria homens, com idade média de 32 anos. Os autores utilizaram instrumentos padronizados, como o DASS-21 (Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse) e um questionário sociodemográfico, com o objetivo de compreender a relação entre fatores pessoais e o sofrimento psíquico desses indivíduos.
Os resultados mostraram que há uma prevalência significativa de sintomas de depressão, ansiedade e estresse entre os participantes, sendo que os níveis mais altos foram observados em usuários de tabaco e em pessoas que estavam desempregadas no momento da pesquisa. Além disso, os dados revelaram uma associação entre o uso de crack e o sexo feminino, indicando uma possível maior vulnerabilidade de mulheres usuárias dessa substância em relação à saúde mental. Tais achados sugerem que questões sociodemográficas, como o gênero, o nível de escolaridade, o estado civil, a prática religiosa, o nível socioeconômico e a condição de emprego, devem ser levadas em consideração durante o tratamento em comunidades terapêuticas.
Outro ponto importante discutido no artigo é o perfil predominante dos participantes: adultos jovens, solteiros, com baixa escolaridade e inserção social precária. Esse conjunto de fatores contribui para o agravamento dos sintomas psicológicos e reforça a necessidade de políticas públicas mais abrangentes que integrem o cuidado em saúde mental ao tratamento da dependência química. As autoras defendem a importância de abordagens terapêuticas interdisciplinares e personalizadas, que não se limitem apenas à abstinência, mas que incluam o acolhimento das questões emocionais, sociais e existenciais que envolvem o uso de substâncias. Conclui-se, portanto, que a atenção à saúde mental dos adictos em comunidades terapêuticas é essencial para o sucesso do processo de recuperação e para a construção de trajetórias de vida mais saudáveis e autônomas.