Atendimento humanizado para transformar vidas Atendimento via WhatsApp 24h
— Dependência Química

Adicção e Distúrbios do Sono: Impactos Neuropsicológicos e Consequências à Saúde

Grupo Messias
Adicção e Distúrbios do Sono: Impactos Neuropsicológicos e Consequências à Saúde

Por Raique Almeida

 

          A relação entre adicção e distúrbios do sono constitui uma preocupação crescente nas áreas da saúde pública, psicologia e neurociência. Diversos estudos apontam que o uso abusivo de substâncias psicoativas afeta significativamente os ritmos biológicos e os padrões do sono, provocando alterações neuroquímicas que comprometem a qualidade de vida dos indivíduos.

         O sono é uma função biológica fundamental para a homeostase corporal e para a consolidação da memória, do aprendizado e do equilíbrio emocional. Segundo Ferreira e Tufik (2012), alterações na arquitetura do sono podem resultar em déficits cognitivos, instabilidade emocional e maior vulnerabilidade a doenças. Quando associado à dependência química, esse cenário se agrava consideravelmente.

            Substâncias como álcool, cocaína, anfetaminas, cannabis e opioides possuem efeitos diretos sobre o sistema nervoso central, alterando a produção e a regulação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e GABA. Essas alterações impactam diretamente os ciclos circadianos e reduzem as fases profundas do sono, como o sono REM, essenciais para o funcionamento cognitivo e emocional (Schenberg et al., 2014).

            A privação crônica do sono, frequentemente relatada por indivíduos em uso contínuo de substâncias ou em processo de abstinência, está associada ao aumento de comportamentos impulsivos, irritabilidade, dificuldades de concentração e recaídas. Conforme aponta Volkow et al. (2009), a desregulação do sono pode atuar tanto como consequência quanto como fator de manutenção da adicção, criando um ciclo de retroalimentação entre o vício e os prejuízos à saúde mental.

        Além disso, os impactos sobre o sono contribuem para o comprometimento do funcionamento social e ocupacional, dificultando a reinserção e a adesão aos tratamentos terapêuticos. Por isso, os distúrbios do sono devem ser considerados na abordagem clínica de dependência química, com estratégias que integrem cuidados farmacológicos, terapias cognitivas e educação sobre higiene do sono.

           Nesse contexto, a compreensão dos efeitos da adicção sobre o sono não pode ser desvinculada de uma análise interdisciplinar que inclua aspectos neurobiológicos, comportamentais e sociais. O tratamento eficaz da dependência deve, portanto, reconhecer a importância do sono como elemento central da recuperação e da saúde integral.

 

Referências

 

FERREIRA, V. R.; TUFIK, S. O sono como marcador de saúde e qualidade de vida. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 34, n. 2, p. 191-193, 2012.

SCHENBERG, E. E. et al. Substâncias psicoativas e sono: interações e implicações clínicas. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, v. 63, n. 1, p. 54-62, 2014.

VOLKOW, N. D. et al. Sleep deprivation decreases the brain dopamine D2 receptor availability in the human brain. Journal of Neuroscience, Washington, v. 29, n. 8, p. 2798–2803, 2009.

Este site usa cookies para fornecer serviços e analisar tráfego. Saiba mais.