Ansiedade no Ambiente de Trabalho Hostil: Impactos da Perseguição e da Hostilidade Organizacional
30/08/2025

Por Raique Almeida
A ansiedade no ambiente laboral tem se configurado como um dos principais problemas de saúde mental na contemporaneidade, especialmente quando o trabalhador se encontra exposto a contextos hostis e permeados por perseguições interpessoais. Situações dessa natureza não apenas comprometem a qualidade de vida do indivíduo, mas também interferem diretamente em sua produtividade e em sua capacidade de estabelecer relações saudáveis dentro da organização (SANTOS; MARTINS, 2020).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2019), a ansiedade é caracterizada por sentimentos persistentes de preocupação excessiva, medo e apreensão, que podem se intensificar quando vinculados a pressões constantes do ambiente profissional. No caso de ambientes hostis, onde há práticas de assédio moral, perseguição hierárquica ou competitividade exacerbada, o trabalhador vivencia um estado contínuo de alerta, que favorece o desenvolvimento de transtornos ansiosos e depressivos (COSTA; RIBEIRO, 2021).
O assédio moral, segundo Hirigoyen (2005), constitui-se em uma violência psicológica repetitiva e sistemática, cujo objetivo é fragilizar emocionalmente a vítima, podendo levar a sérios danos mentais. Quando o espaço laboral se torna um cenário de perseguições, boicotes e desvalorização, instala-se um ambiente nocivo à saúde psíquica do trabalhador, ocasionando sintomas como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e crises de ansiedade. Esse processo, além de comprometer a vida pessoal do sujeito, gera impactos coletivos, como queda na motivação e aumento do absenteísmo (BORGES; ALMEIDA, 2019).
Ademais, estudos apontam que o ambiente hostil também influencia a identidade profissional e a autoestima, já que o trabalhador passa a se perceber constantemente desqualificado e sob ameaça (FERREIRA; NUNES, 2018). Esse quadro tende a ser agravado quando gestores ou colegas de equipe adotam práticas persecutórias, tornando o espaço de trabalho um local inseguro e desestabilizador. Para Dejours (1992), o sofrimento no trabalho surge quando as condições organizacionais impossibilitam que o indivíduo exerça sua criatividade, impondo situações de violência simbólica e relacional que se refletem diretamente na saúde mental.
Portanto, a ansiedade decorrente de ambientes de trabalho hostis não deve ser interpretada apenas como uma questão individual, mas como reflexo de um processo organizacional adoecido. A criação de políticas institucionais voltadas à promoção da saúde mental, o fortalecimento de canais de denúncia de assédio e a capacitação de lideranças para a gestão humanizada são medidas essenciais para mitigar tais efeitos. Como ressaltam Costa e Ribeiro (2021), a prevenção e o cuidado com a saúde psicológica no trabalho não apenas beneficiam o indivíduo, mas também fortalecem a instituição como um todo, promovendo relações mais saudáveis e produtivas.
Assim, é possível compreender que a ansiedade vinculada a ambientes laborais persecutórios configura um fenômeno de relevância social e científica, exigindo atenção de pesquisadores, profissionais de saúde e gestores organizacionais. O enfrentamento dessa realidade requer uma abordagem multidisciplinar, capaz de romper com dinâmicas hostis e promover um espaço de trabalho mais justo, ético e saudável.
Referências
BORGES, C.; ALMEIDA, R. Assédio moral e impactos na saúde psicológica do trabalhador. Revista Psicologia & Sociedade, v. 31, n. 2, p. 1-12, 2019.
COSTA, M.; RIBEIRO, L. Transtornos de ansiedade relacionados ao trabalho: um estudo sobre ambientes hostis. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 46, n. 3, p. 1-9, 2021.
DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez, 1992.
FERREIRA, J.; NUNES, T. Assédio moral e identidade profissional: repercussões no ambiente organizacional. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, v. 21, n. 1, p. 45-57, 2018.
HIRIGOYEN, M. F. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
SANTOS, A.; MARTINS, V. Ansiedade e estresse no ambiente de trabalho: fatores de risco e prevenção. Revista de Saúde e Trabalho, v. 15, n. 1, p. 77-89, 2020.
OMS – Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças – CID-11. Genebra: OMS, 2019.