Autocuidado Como Prática de Promoção da Saúde e Prevenção do Adoecimento

30/08/2025

Autocuidado Como Prática de Promoção da Saúde e Prevenção do Adoecimento

Por Raique Almeida

            O conceito de autocuidado tem ganhado crescente relevância nas discussões sobre saúde, especialmente diante das transformações sociais que impõem ritmos acelerados de vida, múltiplas demandas e níveis elevados de estresse. A prática do autocuidado envolve a adoção de atitudes e comportamentos conscientes voltados para o bem-estar físico, psicológico, emocional e social, sendo reconhecida como elemento essencial na prevenção de doenças e na promoção da qualidade de vida (SOUZA; MARTINS, 2020).

            Segundo a Organização Mundial da Saúde, a promoção da saúde se refere a um processo que permite aos indivíduos maior controle sobre os determinantes de sua própria saúde (OMS, 2019). Nesse sentido, o autocuidado vai além de práticas isoladas, representando um compromisso individual e coletivo com hábitos que favoreçam equilíbrio e sustentabilidade da vida. Isso inclui desde a alimentação saudável e a prática regular de atividades físicas até a manutenção de vínculos sociais saudáveis e o cuidado com a saúde mental (SANTOS; LOPES, 2021).

            No campo da psicologia, o autocuidado é considerado uma prática fundamental para o manejo das emoções e para o fortalecimento da resiliência diante de situações adversas. Estudos demonstram que pessoas que cultivam rotinas de autocuidado apresentam menor incidência de sintomas ansiosos e depressivos, além de desenvolverem maior capacidade de enfrentamento diante das pressões cotidianas (CAMPOS; OLIVEIRA, 2022). Dessa forma, ele não deve ser entendido como ato de egoísmo ou vaidade, mas como responsabilidade pessoal e, em muitos casos, até ética, já que um sujeito saudável contribui mais efetivamente para a sociedade.

            Outro aspecto relevante é a inter-relação entre autocuidado e políticas públicas de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil tem buscado fomentar estratégias que valorizem a educação em saúde e o protagonismo dos indivíduos em seus processos de cuidado, compreendendo que a autonomia do sujeito é central para a eficácia das práticas de prevenção e promoção da saúde (BRASIL, 2017). Assim, o autocuidado deve ser compreendido em sua dimensão integral, como parte de um movimento coletivo que fortalece não apenas o indivíduo, mas também as comunidades.

            Nesse contexto, é possível afirmar que o autocuidado é prática transformadora, que exige consciência crítica e disciplina. Ao mesmo tempo em que envolve hábitos simples e cotidianos, como sono adequado, lazer e acompanhamento médico regular, também demanda um olhar sensível sobre as próprias necessidades emocionais e sociais. Trata-se, portanto, de um processo contínuo de autoconhecimento, que possibilita o cultivo de uma vida mais saudável, plena e equilibrada.

            Em síntese, o autocuidado constitui ferramenta indispensável para a construção da saúde integral. Sua prática, longe de ser acessória, é central na promoção do bem-estar e na prevenção de adoecimentos físicos e psíquicos. Investir em autocuidado é, portanto, investir em qualidade de vida, em dignidade humana e em sustentabilidade social, de modo a permitir que indivíduos e coletividades se fortaleçam diante das complexidades do mundo contemporâneo.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde: PNPS – Revisão da Portaria MS/GM nº 687, de 30 de março de 2006. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

CAMPOS, Maria Eduarda; OLIVEIRA, João Pedro. Autocuidado e saúde mental: práticas de enfrentamento no cotidiano. Revista Psicologia e Saúde, v. 14, n. 2, p. 45-59, 2022.

OMS – Organização Mundial da Saúde. Self-care interventions for health: report of the WHO consultation. Geneva: World Health Organization, 2019.

SANTOS, Cláudia Regina; LOPES, Mariana Ferreira. Práticas de autocuidado e promoção da qualidade de vida. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, n. 3, p. 1-7, 2021.

SOUZA, Rafael; MARTINS, Juliana. Autocuidado e prevenção em saúde: uma revisão integrativa. Saúde em Debate, v. 44, n. 126, p. 456-469, 2020.

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